Vidrou no Hundertwasser?

Então vá atrás. Ele não tem Tweeter e nem precisa. Seus seguidores estão conectados em outra rede, bem mais interessante e complexa. No Brasil, tem pouca coisa publicada sobre ele (em português, que eu saiba, nada além do verbete da Wikipédia e de umas coisas meio suspeitas na rede, algumas até que legais). A Taschen tem um bom livro iniciático à vida-obra desse maluco beleza: ” The power of art: Hundertwasser, the painter-king with five skins”, de Pierre Restany. Se você não entendeu esta conexão, vá para a categoria ANIMAMUNDI  e leia o post “Neobárbaros no rastro de Héstia: Hundertwasser”.

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Neobárbaros no rastro de Héstia: as pistas de Hundertwasser

Um jardim no telhado. Uma toalete que capta o cocô da família e o redireciona, como húmus, para adubar as áreas verdes da casa. O sagrado direito às janelas. A arte que respeita a natureza e suas leis. A arte que respeita o homem e sua aspiração pela verdade e pelos valores que duram. “O manifesto da merda sagrada”… Se você está achando tudo isso pra lá de original, é porque provavelmente ainda não conhece Friedensreich Hundertwasser… ou conhece, mas ainda não deu a ele a atenção devida. Vienense, filho único de mãe judia (poderosa) e pai “ariano” (falecido quando ele tinha apenas um ano de idade), Hundertwasser foi um pintor criador de seu próprio movimento ético-estético, um “médico” da arquitetura, visionário, naturista (que gostava de discursar pelado, absolutamente fiel ao contexto dos discursos), agitador cultural e ativista ecológico em luta pela qualidade de vida na cidade e contra o racionalismo e as linhas retas na arquitetura, um inventor ousado e um reencantador do mundo em tempo integral. Nascido em terra muito firme em 1928, o artista morreu sobre a água em 2000, a bordo de um navio que singrava o Pacífico, rumo à Nova Zelândia. Mais mítico impossível. Muito antes da ecologia virar clichê, Hundertewasser  já era um ecologista completo, sem fissuras entre vida, arte, ciência e política. Quando ele morreu, a consciência ecológica, seja lá o que isso queira dizer, nem bem engatinhava. “Gugue”-o e você vai se deleitar com algumas visões de sua obra: quadros em que a arte nunca é uma abstração intelectual, mas uma experiência para ser vivida como presença no mundo; prédios sem linhas retas, com ávores pendendo de janelas e acabamentos deslumbrantes, feitos com sucata de material de construção; a Kunsthausswien, um conjunto arquitetônico que ele ergueu em Viena, com o apoio da municipalidade, à margem do rio Danúbio (www.kunsthausswien.com)… Desculpem a tietagem explícita mas, em matéria de Hundertwasser, sou tudo, menos objetiva. Um poema do artista: “A linha que traço com meus pés / quando vou ao museu / é mais importante e mais/ bela que a linha / que descubro pendendo / dos muros-paredes” (Paris, 1953, minha própria tradução afetiva). Apesar de sua urgência para nós, neobárbaros, de sua atualidade, de seu gênio modesto, empático e bem humorado, tão deficitário na arte desta nossa idade do ferro, Hundertwasser é, neste post, tão somente um pretexto (muito maior e melhor do que o texto!). Quero invocá-lo aqui para abordar, com a devida reverência, uma de suas teses mais geniais: a das 5 peles do ser humano. Pele número 1: a Epiderme. Pele número 2: as Roupas. Pele número 3: a Casa. Pele número 4: a Indentidade e o Meio-Ambiente Social. Pele número 5: o Ambiente Global / o Planeta. E eu, que outro dia falava de Héstia, acordei no meio da noite pensando nas 5 peles de Hundertwasser. Mas, como dizia o Júlio Gouveia, que era o mestre de cerimônias da versão para TV da minha infância do “Sítio do Picapau Amarelo”: “Este é uma outra história que fica para uma outra vez…” Quer saber mais sobre Hundertwasser? Vá até ANIMATECA e clique no post VIDROU EM HUNDERTWASSER?