Esqueleto-Maravilha (Parte 1)


Semana passada, me ligaram de uma emissora de TV, pedindo uma entrevista sobre a Mulher-Maravilha, que anda bombando nas bilheterias. Eu disse que não tinha visto o filme e, se me quisessem, tinha de ser com meu background vintage: os gibis dela, que meus primos mais velhos me repassavam, orelhudos e gastos (eu preferia Cripta, mas OK, a cavalo dado não se olham os dentes) e o seriado da TV nos anos 1970, com a mulherona Lynda Carter vestida de bandeira dos EUA. A pessoa do outro lado da linha topou, talvez por falta de opção melhor. Pesquisei por alto o filme no Google e vi o trailer: um começo paradisíaco – corta – seguido de porradas, efeitos especiais, voos, saltos ornamentais, golpes de espada, pancadaria, explosão, enfim, mais do mesmo. Na manhã seguinte, bem cedo, um trio educado e eficiente baixou na minha casa. Sugeri uma pauta à repórter, que ela aparentemente topou: será mesmo motivo de comemoração para as mulheres que uma mulher seja aceita no clube do Bolinha um tanto constrangedor dos super-heróis, para fazer tudo exatamente do jeito que eles fazem? Bem que podia ser a Edna Moda de “Os Incríveis”, para renovar aqueles figurinos ridículos, pensei mas não falei. Conversamos eu e a repórter sobre minhas impressões, retocadas com pinceladas de mitologia, ligeiras menções à teoria dos arquétipos de Jung, saltos de patins sobre a jornada do herói de Campbell… Então despachei o povo e saí para trabalhar. Pouco depois do meio-dia, uma amiga me mandava uma filmagem caseira, feita da tela da TV. O tom comemorativo da reportagem era evidente. A Mulher-Maravilha celebrada como campeã do empoderamento feminino!!! Poderosaaaa!!!! Guerreiraaaa!!!! Gostosaaaa (ooops… foi mau)… Enfim RÁ-TIM-BUM! Entra minha parte: um miserável farrapo de quinze segundos, se tanto, em que eu explico que Diana era o nome latino de Ártemis, deusa grega da natureza selvagem, solteira, independente, avessa ao masculino. Corta rápido a velhota que fala de coisas velhas! Seguem-se imagens das HQ, alternadas a duas generosas aparições da jovem e descolada especialista em Mulher-Maravilha, sentada entre almofadas de Mulher-Maravilha, cercada de memorabilia da Mulher-Maravilha. Entendi tudo. Complexidade não rima com grande mídia, esse Tifão que fala ao mesmo tempo duzentas línguas em vozes tonitruantes e assim ameaça dissolver o cosmos no caos. Um cara mais aflitivo que informativo esse Tifão, e nada nada nada formativo, convenhamos. Me perguntei: o que de bom eu esperava de uma coisa feita entre oito da manhã e meio-dia? Perdi meu tempo, pensou meu ego-fodinha. Ganhei um tema, repensou a Mulher-Esqueleto, o oposto complementar da Maravilha e a mentora sombria do meu ego-fodinha. Foi então que decidi contar minha versão, pelo buraco escuro da boca da Mulher-Esqueleto. Vou assim tentar acalmar os amigos revoltados com o mesquinho quinhão que me destinaram as Moiras da Grande Mídia. Continua depois de eu ver o filme…

 

 

 

 

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. duboc9
    jun 11, 2017 @ 12:02:03

    Tan-Tan-Tan-Tã. Enquanto não chega a segunda parte da gostosona com punhos invencíveis. Quando a judia cruza os punhos, só o amor é capaz de descruzá-los para o abraço de algum I love you, lad.

    Aproveito pra tirar o machismo do armário.

    Os leitões da Linda eram mais inspiradores a Onan, deixava ver a risquinha do encontro dos paralelos escondidos na armadura. Lindona mais altona e mais estupidona que miss Israel.

    Também pudera, a judia é filha de Mrs House of Cards, Lindona nem nem mãe tinha, pouco tempo, minuto caro paca na tevê pra mostrar gestação, parto, infância, adolescência e perguntar ao seu tesão nú “que é isso?”, referia-se ao relógio dele, não ao que seu inconsciente descobriu e logo queria de verdade.

    Israel tem mais classe, modos, porte, elegância, sofisticação que Lindona.

    Porrada as duas dão — ôpa! desculpe o verbo — pra valer.

    A judia nigthmare no fundo queria é andar de cavalo com seu male, ficar lá pela ilha, uma navegadazinha até a ilha da comadre de Lesbos, uns poemas ao entardecer etc. principalmente eticétera. Nada demais, faz falta no filme. Se tivessem posto aquele beijinho que a Madonna inventou, era blockbuster masculino triplicado. Homem não resiste a duas fêmeas de mão dadas, imagina com aquele beijinho.

    Nem precisa ver o filme, Feiticeira, o trailer é melhor.

    A judia é linda, gostosa paca, nem precisava daquele látego de ouro líquido pra salvar o mundo. Começou cedo, na 1a Guerra. Tá certo a Warner, tem guerra paca só até chegar a 2a. Haja continuação. Assistirei no 1o dia quando a Wonder aportar no Vietnã.

    Ms Israel é melhor atriz, mother Robin deve ter dado umas dicas de olhares, viradas de cabeça. E rosto, lindo, de quem tá acostumada a peripatetizar com deuses, túmulos e sábios.

    Patty Jerkins ou Jarkins, whatever, dirigiu aquele ‘Monster’, onde a Charlize papou o Oscar por matar meia dúzia de homens e distribuía porrada em lanchonetes on the road. Monster até é quase cinema, Ms Theron só fez isso e hoje se aposentou com Max, o louco, enquanto bota em dia fugidas furiosas e velozes.

    Ah, o galã é bonito. Que doces olhos, ahhh …

    Ah, Ms Jerkins ou Jarkins, whatever, sabe dirigir, conhece o ofício, mitologia, Jung, Campbell tá cagando. Praticando pode chegar a ser uma Katlyn, não tenho certeza se é assim a grafia, sorry, Katlyn

    Ah, Ms whatever Patty falou que na Woman II, a judia, linda, sai do armário e assume sua bissexualidade. Gostaria de poder assistir aos testes da escolha, quem será a namorada, ou namoradas?

    Ah, podiam descer só um pouquinho aquele corpete infernal, só pra ver a rosquinha daqueles paralelos, que sim, se encontram.Tan-Tan-Tan-Tã.

    Beijo, Feiticeira.

    ________________________________

    Responder

  2. Claudia
    jun 11, 2017 @ 13:32:09

    Prefiro a velhinha do ego-fodinha.
    Essa gente não sabe de nada.

    Responder

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