Uivos lá de Extrema

A Denise Felipe, lá de Extrema, MG, me manda esse comentário que vale por um lindo post. Aproveitei para fazer um reparo no “Anima Nobile Canina”: meu pai corrigiu o nome do Bobby para Dick (um bom nome para um cãozinho de formato fálico)! Putz! Enfim, minha memória não é tão elefantina assim e por isso eu deveria ter consultado os ancestrais antes de escrever. Deleitem-se.

Eli, lembrei também dos cachorros que tive (Teca, Tulipa, Xane, Noite…), de livros que li (Flush; Cão como nós ‒ cujo prefácio é do Cony, mencionado no texto abaixo ‒; Timbuktu; O cão e o dono; O chamado da floresta; Da dificuldade de ser cão; Caninos brancos, Vidas secas…).

Adote logo uma pessoa de quatro patas… Essa gente nos humaniza!

“Sempre me lembro [eu também!!] da crônica emocionada e emocionante que escreveu Carlos Heitor Cony a propósito da morte de sua cachorra Mila e de quanto o registro dessa perda nos ensina sobre nossas relações e sobre nós mesmos nas relações com os animais, dos animais conosco e de cada um de nós conosco e com outros semelhantes e dessemelhantes.

[O Eduardo Galeano, numa entrevista pro programa Sangue Latino, também conta uma história comovente: “Faz pouco tempo eu sofri uma tragédia, morreu meu companheiro Morgan, meu cachorro, meu companheiro de passeio, que me acompanhava também escrevendo porque, quando eu perdia a mão, e já levava 18 horas escrevendo, com a sua perna me dizia: ‘Vamos, nos vamos. A vida não termina aqui, nos livros. Vem, vamos passear juntos’, e aí íamos os dois. E ele morreu assim que eu andava com uma música muito ruim na alma e, realmente, falando de perdas, a perda do Morgan foi muito importante para mim, me arrancou um pedaço do peito.”]

Umberto Eco na crônica ‘Da inteligência canina’, publicada recentemente pela Folha de S.Paulo, Ilustríssima (Domingo, 9, out., 2011, p. 6), e que traz, em linha  fina, o subtítulo ‘Quando o cão elabora um plano complexo’, faz um breve e longo passeio, no espaço e no tempo, para, a propósito de um incidente em que a cadela Queen vai em busca de ajuda para salvar sua dona que havia sido picada por uma vespa tendo em decorrência um choque anafilático, evocar ‘uma literatura antiquíssima e vasta sobre as capacidades de raciocínio dos cães’. Cita, então a História natural de Plínio, do ano 77 d.C., Crisipo, três séculos antes, Sexto Empírico cinco séculos depois, Plutarco, Eliano e Porfírio com argumentos em favor da inteligência e da racionalidade desse animais. Projeta esses temas sobre os nossos dias e termina a crônica com a desconfiança sagaz de que os cães estão, pela razão e pela emoção, mais próximos de nós do que sonha a nossa vã filosofia.

E conclui (e nós com ele):

‘Ainda que não se consiga definir bem a inteligência canina, deveríamos ser mais sensíveis a esse ministério. E se for muito difícil virar vegetariano, pelo menos que donos menos inteligentes que eles não abandonem seus cães nas estradas.’”

Carlos Vogt em <http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=73&print=true>

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Lourdinha
    out 27, 2014 @ 20:11:20

    Minha santa, que espetáculo de comentário!!!!!’ Por que vc não está escrevendo para um jornal???!????!???

    Responder

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