Belo, claro, enigmático… do jeito que as religiões deveriam ser

“Para conhecer melhor as religiões” (Série Claroenigma, Companhia das Letras) é uma beleza de livro. Beleza no sentido grego clássico do termo, porque além de belo, ainda é bom e justo. O autor Patrick Bannon é um cientista das religiões com alma de poeta e o “ilustrador” (palavra mais besta) é um artista sagrado, descendente espiritual dos sacerdotes-pintores que, no neolítico, transformaram cavernas em catedrais. Essas duas feras produzem uma delicada bússola, que ajuda o leitor a planar sobre o oceano de obscurantismo, violência (literal e simbólica) e banalidade em que boiam as religiões em geral, neste nosso medíocre limiar de século 21. Feitas para reunir os homens por meio dos símbolos da trancendência que estes criam e partilham, as religiões, contudo, só fazem dividir. O livro, ao contrário, evoca o mistério tremendo e fascinante que resiste, apesar de tudo, por trás de tantas reduções mutiladoras da experiência do sagrado. Com palavras e imagens, os autores guiam seu leitor pelo eterno labirinto, cheio de armadilhas mortais, e que (eles reiteram sem afirmar) parece levar a um único e mesmo centro: a grande mônada, a divindade, a fonte da vida, o self cósmico, enfim, aquela imagem que você pode ou não revestir de palavra, mas que brilha dentro de você quando a água sobe ou a beleza te atinge direto no peito.

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